Câncer de Testículo: 4 Fatores de Risco, Sintomas e Tratamento

O câncer de testículo é o tumor maligno mais comum em homens entre 15 e 35 anos. Saiba mais sobre os sintomas, diagnóstico, tratamento e como o diagnóstico precoce garante taxas de cura superiores a 95%.
Câncer de Testículo | Dr. Michel Chebel

O câncer de testículo é o tumor maligno mais comum em homens entre 15 e 35 anos de idade. Apesar de sua incidência relativamente baixa em comparação a outros tipos de câncer, o diagnóstico precoce é fundamental para garantir altas taxas de cura, que podem ultrapassar 95% nos estágios iniciais. Com o tratamento adequado, a maioria dos pacientes alcança a remissão completa.

O Que É o Câncer de Testículo?

O câncer de testículo origina-se nas células dos testículos, as glândulas reprodutoras masculinas responsáveis pela produção de espermatozoides e hormônios sexuais como a testosterona. A grande maioria dos casos — cerca de 90 a 95% — é classificada como tumor de células germinativas, que se subdivide em dois tipos principais: seminoma e não seminoma.

Os seminomas são tumores de crescimento mais lento e altamente sensíveis à radioterapia e à quimioterapia. Já os não seminomas — que incluem carcinoma embrionário, teratoma, coriocarcinoma e tumor do saco vitelino — costumam crescer e se disseminar mais rapidamente, mas também respondem bem ao tratamento. Para entender melhor como os tumores são classificados e organizados, leia nosso artigo sobre estadiamento do câncer.

4 Principais Fatores de Risco do Câncer de Testículo

Embora a causa exata do câncer de testículo ainda não seja completamente conhecida, alguns fatores de risco foram identificados pela oncologia. Conhecê-los é essencial para a prevenção e o monitoramento adequado:

  • Criptorquidia: é a condição em que um ou ambos os testículos não descem corretamente para o escroto durante o desenvolvimento fetal. Homens com histórico de criptorquidia têm risco 3 a 5 vezes maior de desenvolver o câncer, mesmo após a correção cirúrgica.
  • Histórico familiar: ter pai ou irmão com câncer de testículo eleva significativamente o risco individual.
  • Histórico pessoal: homens que já tiveram câncer em um testículo têm maior probabilidade de desenvolver o tumor no testículo contralateral.
  • Síndrome de Klinefelter: condição genética associada ao maior risco de tumores testiculares.

Sintomas do Câncer de Testículo

Um dos grandes desafios do câncer de testículo é que, em muitos casos, ele pode ser assintomático em estágios iniciais. Por isso, a autoexaminação regular é uma ferramenta valiosa para a detecção precoce. Os principais sintomas incluem:

  • Nódulo ou endurecimento indolor em um dos testículos
  • Sensação de peso ou desconforto no escroto
  • Dor leve no escroto ou na virilha
  • Acúmulo de líquido no escroto (hidrocele)
  • Aumento ou sensibilidade das mamas (ginecomastia), causada pela produção anormal de hormônios pelo tumor
  • Dor nas costas ou no abdômen, em casos mais avançados com metástase óssea

É importante ressaltar que dor ou desconforto no testículo nem sempre indicam câncer — podem ser sinais de outras condições. Contudo, qualquer alteração deve ser avaliada por um médico oncologista o mais rapidamente possível.

Como é Feito o Diagnóstico?

O diagnóstico do câncer de testículo envolve uma combinação de exames clínicos, laboratoriais e de imagem. O processo diagnóstico inclui:

Exame Físico e Ultrassonografia Escrotal

A ultrassonografia escrotal é o exame de imagem de escolha para avaliar nódulos testiculares. Ela permite diferenciar massas sólidas de cistos e identificar características sugestivas de malignidade com alta sensibilidade e especificidade.

Marcadores Tumorais

Os marcadores tumorais são proteínas produzidas pelo tumor que podem ser detectadas no sangue. Os principais marcadores utilizados no diagnóstico e acompanhamento do câncer de testículo são a alfa-fetoproteína (AFP), a gonadotrofina coriônica humana (beta-HCG) e a desidrogenase láctica (LDH). Esses marcadores ajudam a classificar o tipo tumoral, avaliar a extensão da doença e monitorar a resposta ao tratamento.

Orquiectomia Inguinal Radical

Diferentemente da maioria dos cânceres, o diagnóstico definitivo do câncer de testículo é obtido por meio da remoção cirúrgica do testículo afetado — a orquiectomia inguinal radical. Biópsias percutâneas são evitadas para prevenir a disseminação do tumor para os linfonodos inguinais. O exame anatomopatológico da peça cirúrgica confirma o diagnóstico e classifica o tumor.

Tomografia Computadorizada

A tomografia computadorizada do tórax, abdômen e pelve é realizada para avaliar o estadiamento da doença, verificando a presença de metástases em linfonodos retroperitoneais, pulmões ou outros órgãos.

Estadiamento do Câncer de Testículo

O estadiamento do câncer de testículo segue o sistema TNM e é dividido em três estágios principais:

  • Estágio I: o tumor está confinado ao testículo, sem evidência de metástase.
  • Estágio II: há comprometimento dos linfonodos retroperitoneais (abdominais), sem metástase a distância.
  • Estágio III: presença de metástases a distância, mais comumente nos pulmões ou no fígado.

Tratamento do Câncer de Testículo

O câncer de testículo é um dos tumores malignos com melhor prognóstico e maior taxa de cura. O tratamento é definido de acordo com o tipo histológico (seminoma ou não seminoma), o estadiamento e o perfil de risco do paciente.

Cirurgia (Orquiectomia)

A orquiectomia inguinal radical é o passo inicial e fundamental do tratamento. Além de confirmar o diagnóstico, a cirurgia remove o tumor primário. Em casos selecionados de estágio II e III, a dissecção de linfonodos retroperitoneais (RPLND) pode ser necessária.

Radioterapia

Os seminomas são altamente radiossensíveis. Para pacientes com seminoma em estágio I ou II, a radioterapia dos linfonodos retroperitoneais pode ser indicada como tratamento adjuvante após a orquiectomia, reduzindo o risco de recidiva.

Quimioterapia

A quimioterapia é o tratamento de escolha para tumores em estágios mais avançados e para não seminomas. O esquema mais utilizado é o BEP (bleomicina, etoposídeo e cisplatina), que demonstra excelente eficácia e resulta em altas taxas de remissão completa. O número de ciclos varia conforme o estadiamento e a classificação de risco do paciente.

Vigilância Ativa

Para pacientes com doença em estágio I de baixo risco — especialmente seminomas e não seminomas sem fatores desfavoráveis — a vigilância ativa (acompanhamento regular sem tratamento adjuvante imediato) pode ser uma opção segura, evitando os efeitos colaterais desnecessários da quimioterapia ou radioterapia.

Autoexame Testicular: Uma Ferramenta Simples e Eficaz

O autoexame testicular é recomendado mensalmente a partir da puberdade. O ideal é realizá-lo após um banho quente, quando o escroto está mais relaxado. O homem deve examinar cada testículo individualmente, rolando-o suavemente entre os dedos para identificar qualquer endurecimento, nódulo ou alteração de tamanho. Qualquer achado suspeito deve ser comunicado imediatamente a um médico oncologista. Saiba mais sobre as estratégias de prevenção do câncer e como reduzir seu risco.

Preservação da Fertilidade

Como o câncer de testículo acomete predominantemente homens em idade reprodutiva, a preservação da fertilidade é uma preocupação importante. Antes de iniciar a quimioterapia ou a radioterapia, o oncologista deve discutir com o paciente a possibilidade de criopreservação de espermatozoides (banco de sêmen). Essa estratégia garante que o paciente tenha a opção de ter filhos no futuro, mesmo após tratamentos que possam comprometer a função reprodutiva. Consulte também: informações do INCA sobre câncer de testículo.

Acompanhamento e Prognóstico

O acompanhamento após o tratamento do câncer de testículo é fundamental para detectar precocemente qualquer recidiva e monitorar os marcadores tumorais. As consultas regulares com o oncologista, combinadas com exames de imagem e dosagem de marcadores, garantem a segurança do paciente a longo prazo.

O prognóstico do câncer de testículo é excepcionalmente favorável: a taxa de sobrevida em 5 anos supera 95% para a doença localizada e chega a 73% mesmo para casos com metástase a distância. Com o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, a grande maioria dos pacientes alcança a cura completa.

Conclusão

O câncer de testículo é altamente tratável, especialmente quando diagnosticado nos estágios iniciais. A autoexaminação regular, a atenção aos sinais de alerta e a consulta precoce com um médico oncologista são as melhores estratégias para garantir um diagnóstico em tempo hábil. Se você perceber qualquer alteração nos testículos, não hesite em buscar avaliação médica especializada.