A radioterapia é uma das principais modalidades de tratamento do câncer, utilizando radiação de alta energia para destruir células malignas e controlar o crescimento de tumores. Junto com a cirurgia e a quimioterapia, integra o arsenal terapêutico oncológico e pode ser utilizada com diferentes objetivos, dependendo do tipo e estágio da doença. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), mais de 50% dos pacientes com câncer necessitam desse tratamento em algum momento.
O Que é a Radioterapia?
Esse tratamento consiste no uso controlado de radiações ionizantes (como raios X, elétrons ou partículas) para danificar o DNA das células cancerígenas, impedindo sua reprodução e levando-as à morte celular. O tratamento é planejado de forma precisa por uma equipe multidisciplinar, incluindo o médico radioterapeuta, o físico médico e o dosimetrista.
Diferente da quimioterapia, que age sistemicamente em todo o organismo, essa modalidade atua de forma localizada, minimizando os efeitos nos tecidos saudáveis ao redor do tumor. Saiba mais sobre as diferenças entre as modalidades de tratamento em nosso artigo sobre tratamentos oncológicos.
3 Tipos de Radioterapia
Radioterapia Externa
É a forma mais comum, na qual a radiação é produzida por um aparelho externo (acelerador linear) direcionado para a região do tumor. Modalidades modernas como a IMRT (intensidade modulada) e a SBRT (estereotática corporal) permitem maior precisão e menor dose para os tecidos saudáveis.
Braquiterapia
Na braquiterapia, a fonte radioativa é colocada dentro ou muito próxima ao tumor, seja em cavidades naturais (como o colo do útero) ou em tecidos. É amplamente utilizada no tratamento do câncer de próstata, colo do útero e endométrio, permitindo altas doses localizadas com menor exposição dos tecidos ao redor.
Radiocirurgia Estereotática
A radiocirurgia estereotática (como o Gamma Knife e o CyberKnife) utiliza múltiplos feixes de radiação que convergem em um único ponto com extrema precisão, sendo indicada principalmente para tumores cerebrais e metástases pequenas. Apesar do nome, não se trata de uma cirurgia convencional.
Quando a Radioterapia é Indicada?
A radioterapia pode ser indicada em diferentes momentos do tratamento oncológico: curativa (para eliminar o tumor), neoadjuvante (antes da cirurgia para reduzir o tumor), adjuvante (após a cirurgia para eliminar células residuais) e paliativa (para controle de sintomas em casos avançados como dor e sangramento).
Os tipos de câncer tratados com maior frequência incluem câncer de mama, próstata, pulmão, cabeça e pescoço, colo do útero, reto, cérebro e linfomas, entre outros.
Como é o Tratamento?
O tratamento é dividido em etapas: planejamento (simulação com tomografia computadorizada para mapear o tumor), revisão do plano pela equipe, e então as sessões propriamente ditas. As sessões geralmente têm duração de 15 a 30 minutos, são indolores e realizadas de segunda a sexta-feira, por períodos que variam de 1 a 8 semanas.
A radioterapia pode ser combinada com a imunoterapia ou com a quimioterapia (radioquimioterapia concomitante), potencializando os efeitos de ambas as terapias.
Efeitos Colaterais
Os efeitos colaterais dependem da área irradiada, da dose total e das características individuais do paciente. Os mais comuns incluem fadiga, reações na pele, queda de cabelo na região irradiada, e efeitos específicos conforme a localização (mucosite oral, diarreia, disúria). A maioria é temporária e tratável. Para saber como minimizar o impacto, veja nosso artigo sobre efeitos colaterais do tratamento oncológico.
Avanços Tecnológicos
A radioterapia evoluiu enormemente nas últimas décadas. Técnicas como a radioterapia guiada por imagem (IGRT), a modalidade adaptativa e a hadronterapia (com prótons ou íons carbono) representam o estado da arte na área. A integração da inteligência artificial no planejamento do tratamento também está transformando a área, permitindo planos mais otimizados em menos tempo.
Se você ou um familiar recebeu indicação de tratamento com radioterapia, consulte um oncologista especializado para entender como essa modalidade se encaixa no plano terapêutico. O diagnóstico precoce e o planejamento adequado são fundamentais para os melhores resultados.