Quimioterapia Neoadjuvante: O Que é e Quando é Indicada

Entenda o que é a quimioterapia neoadjuvante, quando é indicada, quais os seus objetivos no tratamento do câncer e como ela se diferencia da quimioterapia adjuvante. Veja os principais tipos de câncer em que é utilizada.
Quimioterapia Neoadjuvante | Dr. Michel Chebel

O que é a quimioterapia neoadjuvante?

A quimioterapia neoadjuvante é a administração de quimioterapia antes do tratamento principal — geralmente a cirurgia ou a radioterapia — com o objetivo de reduzir o tamanho do tumor e melhorar os resultados terapêuticos. O termo “neoadjuvante” vem do latim e significa, essencialmente, que o tratamento é realizado antes (neo) da intervenção principal, auxiliando (adjuvante) na sua eficácia. Para mais informações sobre os tipos de tratamento oncológico disponíveis, consulte o Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Diferentemente da quimioterapia adjuvante, que é administrada após a cirurgia para eliminar células tumorais residuais e reduzir o risco de recidiva, essa modalidade terapêutica atua diretamente sobre o tumor antes de sua remoção. Essa estratégia tem se consolidado como parte fundamental do tratamento oncológico moderno para diversos tipos de câncer.

Quais são os objetivos da quimioterapia neoadjuvante?

Esse tratamento pré-operatório pode ser utilizado com diferentes propósitos, dependendo do tipo e do estágio do câncer. Os principais objetivos incluem:

  • Redução do tumor primário: diminuir o tamanho do tumor antes da cirurgia, tornando a ressecção mais completa e segura, e possibilitando procedimentos menos extensos.
  • Avaliação da resposta ao tratamento: a resposta do tumor ao esquema terapêutico fornece informações importantes sobre a sensibilidade tumoral aos medicamentos utilizados, orientando as escolhas terapêuticas subsequentes.
  • Erradicação de micrometástases: mesmo quando não visíveis nos exames de imagem, micrometástases podem estar presentes. Esse tratamento pode eliminar essas células tumorais circulantes precocemente.
  • Preservação de órgãos: em alguns casos, a redução tumoral permite realizar cirurgias menos mutilantes, preservando órgãos e funções que seriam comprometidos por ressecções mais amplas.
  • Conversão de tumores irressecáveis: tumores inicialmente irressecáveis (que não podem ser removidos cirurgicamente) podem, após essa abordagem, tornar-se operáveis.

Quando a quimioterapia neoadjuvante é indicada?

A indicação desse tipo de tratamento varia conforme o tipo de câncer, o estadiamento e as características individuais do paciente. Os principais cenários em que essa abordagem é utilizada incluem:

Câncer de mama

A quimioterapia neoadjuvante é amplamente utilizada no câncer de mama, especialmente em tumores localmente avançados, tumores triplo-negativos e tumores HER2-positivos. Nesses casos, o objetivo é reduzir o tumor antes da cirurgia, permitindo em muitos casos a realização de cirurgia conservadora (em vez de mastectomia total). A obtenção de resposta patológica completa — quando não há tumor viável no tecido removido — é um importante preditor de bom prognóstico. Saiba mais no portal da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM).

Câncer de reto

No câncer de reto localmente avançado (estágios II e III), a quimiorradioterapia neoadjuvante (combinação de quimioterapia e radioterapia antes da cirurgia) é o padrão de tratamento. Essa abordagem reduz o tumor, possibilita a preservação do esfíncter anal em muitos pacientes e diminui o risco de recidiva local. Em casos com resposta completa, pode até ser possível adotar uma estratégia de observação sem cirurgia imediata.

Câncer de estômago e esôfago

Para cânceres gástricos e esofágicos localmente avançados, a quimioterapia perioperatória (pré e pós-operatória) ou a quimiorradioterapia pré-cirúrgica demonstraram benefício em melhorar as taxas de ressecção completa e a sobrevida global dos pacientes.

Câncer de pulmão

Em casos selecionados de câncer de pulmão de células não pequenas (NSCLC) com doença localmente avançada, a quimioterapia neoadjuvante pode ser utilizada para reduzir o tumor antes da ressecção cirúrgica. A associação com imunoterapia pré-operatória tem demonstrado resultados promissores em ensaios clínicos recentes. Veja as diretrizes atuais no site do National Cancer Institute (NCI).

Câncer de bexiga

A quimioterapia neoadjuvante com cisplatina é o padrão de tratamento para o câncer de bexiga músculo-invasivo antes da cistectomia radical, com benefício comprovado em termos de sobrevida global.

Como é realizada a quimioterapia neoadjuvante?

Esse tratamento é administrado por via intravenosa ou oral, em ciclos que variam de acordo com o esquema terapêutico escolhido. O número de ciclos antes da cirurgia também varia conforme o tipo de câncer e a resposta ao tratamento. Durante esse período, o paciente realiza exames de imagem periodicamente para avaliar a resposta do tumor e verificar se o plano terapêutico está sendo eficaz.

Em caso de boa resposta — com redução significativa do tumor —, a cirurgia é programada após a conclusão dos ciclos de quimioterapia neoadjuvante. Em caso de progressão durante o tratamento, o esquema terapêutico pode ser modificado ou a abordagem cirúrgica antecipada, conforme a avaliação da equipe oncológica.

Quais são os possíveis efeitos colaterais da quimioterapia neoadjuvante?

Os efeitos colaterais desse tratamento variam conforme os medicamentos utilizados, a dose e as características individuais do paciente. Os mais comuns incluem náuseas e vômitos, queda de cabelo, fadiga, imunossupressão com maior risco de infecções, mucosite (inflamação das mucosas), neuropatia periférica e alterações nos exames de sangue. A equipe de oncologia clínica está preparada para monitorar e manejar esses efeitos de forma eficaz, garantindo que o paciente mantenha qualidade de vida durante o tratamento.

Quimioterapia neoadjuvante x adjuvante: qual a diferença?

A principal diferença entre a quimioterapia neoadjuvante e a adjuvante está no momento de administração em relação ao tratamento principal. Enquanto a quimioterapia pré-operatória é realizada com o tumor ainda presente, a adjuvante é administrada após a cirurgia, com o objetivo de eliminar células tumorais residuais não visíveis e reduzir o risco de recidiva. Em muitos protocolos oncológicos modernos, as duas abordagens são combinadas — pré e pós-operatória — para maximizar os benefícios do tratamento sistêmico.

A decisão sobre a utilização desse tratamento é sempre individualizada e tomada pela equipe multidisciplinar de oncologia, levando em conta o tipo e o estágio do câncer, as características moleculares do tumor, o estado geral do paciente e suas preferências. Se você tem dúvidas sobre o seu tratamento oncológico, consulte seu oncologista para discutir as melhores opções disponíveis para o seu caso.