Câncer de Estômago: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento Oncológico

Conheça os fatores de risco, sintomas, formas de diagnóstico e as principais opções de tratamento do câncer de estômago (câncer gástrico), incluindo cirurgia, quimioterapia, terapia-alvo e imunoterapia.
Câncer de Estômago | Dr. Michel Chebel

O que é o câncer de estômago?

O câncer de estômago, também chamado de câncer gástrico, é uma neoplasia maligna que se origina nas células da mucosa do estômago. É um dos tipos de câncer mais comuns no mundo e uma das principais causas de mortalidade oncológica no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O diagnóstico precoce da doença ainda é um grande desafio, pois a maioria dos pacientes não apresenta sintomas nas fases iniciais da doença, o que frequentemente leva ao diagnóstico em estágios mais avançados.

O tipo histológico mais comum é o adenocarcinoma gástrico, que representa mais de 90% dos casos desta neoplasia gástrica. Outros tipos incluem os linfomas gástricos e os tumores do estroma gastrointestinal (GIST), que têm comportamento clínico e tratamento bastante distintos do adenocarcinoma.

Fatores de risco para o câncer de estômago

Esta neoplasia é uma doença multifatorial, resultado da interação entre fatores ambientais, infecciosos e genéticos. Os principais fatores de risco incluem:

  • Infecção pelo Helicobacter pylori: a bactéria H. pylori é o principal principal fator de risco ambiental para esta neoplasia, sendo responsável por causar gastrite crônica que, se não tratada, pode evoluir para metaplasia intestinal e, eventualmente, neoplasia.
  • Dieta inadequada: consumo elevado de alimentos defumados, salgados, em conserva e com alto teor de nitratos está associado ao maior risco de desenvolver a doença.
  • Tabagismo: fumantes têm risco significativamente maior de desenvolver câncer gástrico em comparação com não fumantes.
  • Histórico familiar: ter parentes de primeiro grau com câncer de estômago aumenta o risco individual, podendo indicar predisposição genética.
  • Síndromes genéticas hereditárias: como o câncer gástrico difuso hereditário (HDGC), associado à mutação no gene CDH1, e a síndrome de Lynch.
  • Cirurgia gástrica prévia: pacientes submetidos a gastrectomia parcial por úlcera péptica têm maior risco de desenvolvimento de câncer no coto gástrico.

Sintomas do câncer de estômago

Os sintomas desta doença nas fases iniciais são geralmente inespecíficos e facilmente confundidos com condições benignas como gastrite e úlcera péptica. Os sinais que merecem atenção e avaliação médica incluem:

  • Desconforto ou dor epigástrica persistente (na região do estômago)
  • Sensação precoce de saciedade durante as refeições
  • Náuseas e vômitos frequentes
  • Perda de apetite (anorexia) inexplicável
  • Perda de peso involuntária e progressiva
  • Dificuldade para engolir (disfagia), especialmente em tumores do cárdia (junção esôfago-estomacal)
  • Sangramento digestivo, que pode se manifestar como vômito com sangue (hematêmese) ou fezes escuras (melena)
  • Anemia sem causa aparente

A neoplasia gástrica avançada pode causar massa palpável no abdômen, icterícia, ascite e sintomas decorrentes de metástases em outros órgãos. Qualquer sintoma persistente na região abdominal superior, especialmente em pessoas com fatores de risco, deve ser investigado com urgência.

Diagnóstico do câncer de estômago

O diagnóstico definitivo do câncer de estômago é feito por endoscopia digestiva alta com biópsia. A endoscopia permite a visualização direta da mucosa gástrica e a coleta de fragmentos para análise histopatológica, confirmando a presença e o tipo de tumor. Após o diagnóstico, o estadiamento é realizado com tomografia computadorizada de tórax, abdômen e pelve, e em casos selecionados, com PET-CT e ecoendoscopia (ultrassonografia endoscópica).

A análise molecular do tumor também é cada vez mais relevante nesta neoplasia, permitindo identificar pacientes que se beneficiam de terapias específicas, como os tumores com superexpressão de HER2, que respondem ao tratamento com trastuzumabe, e os tumores com deficiência de reparo de DNA (dMMR/MSI-H), que respondem à imunoterapia.

Tratamento do câncer de estômago

O tratamento do câncer de estômago é definido pelo estadiamento da doença, tipo histológico e perfil molecular do tumor. A abordagem é multidisciplinar, envolvendo oncologistas clínicos, cirurgiões oncológicos, radioterapeutas e outras especialidades.

Tratamento do câncer de estômago em estágios iniciais

Nos estágios iniciais (I e II), a cirurgia com ressecção do estômago (gastrectomia parcial ou total com linfadenectomia) é o principal tratamento com intenção curativa. Em casos muito iniciais (tumores restritos à mucosa), a ressecção endoscópica pode ser uma alternativa menos invasiva. A quimioterapia perioperatória (antes e após a cirurgia) demonstrou benefício em melhorar as taxas de cura nos estágios II e III.

Tratamento do câncer de estômago avançado

Para a doença em estágio metastático (estágio IV), o tratamento tem objetivos paliativos, visando prolongar a sobrevida e manter a qualidade de vida. A quimioterapia é a base do tratamento, frequentemente combinada com agentes biológicos. Pacientes com tumores HER2-positivos se beneficiam da adição de trastuzumabe à quimioterapia. A imunoterapia com nivolumabe tem demonstrado benefício em primeira linha para tumores com alta expressão de PD-L1 ou com instabilidade de microssatélites (MSI-H).

Prevenção do câncer de estômago

A prevenção desta neoplasia passa fundamentalmente pelo diagnóstico e tratamento da infecção por H. pylori, especialmente em pessoas com fatores de risco ou histórico familiar da doença. Além disso, adotar hábitos alimentares saudáveis — com consumo elevado de frutas, vegetais e alimentos frescos, e redução de alimentos processados, salgados e defumados — contribui significativamente para a redução do risco. A cessação do tabagismo e a realização de endoscopia de rastreamento em populações de risco elevado também são medidas preventivas importantes. Saiba mais sobre prevenção do câncer e os hábitos que reduzem o risco.

O acompanhamento regular com um oncologista clínico é fundamental para pacientes com fatores de risco, histórico familiar de câncer gástrico ou sintomas sugestivos. O diagnóstico precoce do câncer de estômago é o principal caminho para melhores resultados terapêuticos.