O que é o Câncer de Vulva?
O câncer de vulva é uma neoplasia maligna que se desenvolve na região genital externa feminina, afetando estruturas como os lábios maiores e menores, o clitóris e a abertura da vagina. Embora seja responsável por apenas 4% a 5% de todos os cânceres ginecológicos, seu diagnóstico e tratamento exigem atenção especializada do oncologista.

O câncer de vulva ocorre predominantemente em mulheres na pós-menopausa, com pico de incidência entre 65 e 75 anos. No entanto, a associação com o papilomavírus humano (HPV) tem levado a um aumento de casos em mulheres mais jovens nas últimas décadas. A conscientização sobre os sintomas e a realização de consultas ginecológicas regulares são fundamentais para o diagnóstico precoce.
4 Tipos de Câncer de Vulva
O câncer de vulva pode se apresentar em diferentes formas histológicas, sendo as mais comuns:
1. Carcinoma Espinocelular (CEC)
O carcinoma espinocelular representa cerca de 90% de todos os cânceres de vulva. Pode estar associado ao HPV de alto risco (subtipos 16 e 18) em mulheres mais jovens, ou ao líquen escleroso e outras dermatoses vulvares em mulheres mais velhas. Apresenta-se geralmente como lesões ulceradas, vegetantes ou em placa na região vulvar.
2. Melanoma da Vulva
O melanoma vulvar é o segundo tipo mais comum, representando entre 5% e 10% dos cânceres de vulva. Surge a partir dos melanócitos presentes na pele da vulva e costuma se apresentar como lesões pigmentadas com bordas irregulares. O prognóstico depende da espessura tumoral e da presença de metástases.
3. Adenocarcinoma da Vulva
O adenocarcinoma vulvar é uma forma mais rara, originando-se das glândulas de Bartholin ou das glândulas sudoríparas da região. Tende a se apresentar como nódulos profundos na região dos lábios maiores e pode ser confundido com cistos ou abscessos das glândulas de Bartholin.
4. Carcinoma Basocelular da Vulva
O carcinoma basocelular da vulva é raro, com comportamento geralmente menos agressivo que os demais tipos. Apresenta-se como lesões perláceas ou ulceradas na região vulvar e raramente metastatiza, sendo o tratamento cirúrgico a principal abordagem.
Fatores de Risco do Câncer de Vulva
Os principais fatores associados ao desenvolvimento do câncer de vulva incluem:
A infecção pelo HPV de alto risco é o fator mais importante nas mulheres mais jovens. A não vacinação contra o HPV representa um risco aumentado para o desenvolvimento desta e de outras neoplasias ginecológicas, como o câncer de colo do útero. Além disso, o tabagismo, o líquen escleroso vulvar, o histórico de neoplasia intraepitelial vulvar (NIV), a imunodeficiência (incluindo HIV/AIDS) e a idade avançada são fatores de risco reconhecidos para o câncer de vulva.
Sintomas do Câncer de Vulva
Os sintomas do câncer de vulva frequentemente são confundidos com condições benignas, o que contribui para o atraso no diagnóstico. Os principais sinais de alerta incluem:
O prurido vulvar persistente é um dos sintomas mais comuns e pode estar presente por meses antes do diagnóstico. Outros sintomas importantes incluem lesões visíveis na vulva (úlceras, nódulos, verrugas ou manchas), sangramento ou corrimento incomum, dor ou ardência na região vulvar, espessamento ou endurecimento da pele vulvar e linfonodos inguinais aumentados (ínguas na virilha).
Diagnóstico do Câncer de Vulva
O diagnóstico definitivo do câncer de vulva é realizado por meio de biópsia da lesão suspeita. A vulvoscopia, exame visual detalhado da vulva com lupa, pode orientar o local mais adequado para biópsia. Após a confirmação histológica, o estadiamento é realizado com base nos critérios da FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia), que avalia o tamanho tumoral, o comprometimento dos linfonodos regionais e a presença de metástases à distância.
Exames de imagem como tomografia computadorizada, ressonância magnética e PET-CT são utilizados para o estadiamento e o planejamento terapêutico. Segundo a FIGO, o estadiamento adequado do câncer de vulva é fundamental para definir o tratamento mais apropriado.
Tratamento do Câncer de Vulva
O tratamento do câncer de vulva é multidisciplinar e depende do estádio da doença, do tipo histológico e das condições clínicas da paciente. As principais modalidades terapêuticas incluem:
Tratamento Cirúrgico
A cirurgia é o tratamento principal do câncer de vulva nos estádios iniciais. As opções incluem desde a excisão local ampla (para lesões menores) até a vulvectomia radical (remoção de toda a vulva) nos casos mais avançados. O esvaziamento dos linfonodos inguinais é indicado quando há suspeita de comprometimento regional. A técnica do linfonodo sentinela, quando disponível, permite avaliar o comprometimento ganglionar sem a necessidade de esvaziamento completo em casos selecionados.
Radioterapia
A radioterapia pode ser utilizada como tratamento primário em pacientes com tumores localmente avançados, em combinação com a quimioterapia (quimiorradioterapia), ou como tratamento adjuvante após a cirurgia. O objetivo é tratar o tumor primário e as regiões linfonodais regionais.
Quimioterapia e Terapias Sistêmicas
A quimioterapia é utilizada principalmente em combinação com a radioterapia nos tumores localmente avançados, com cisplatina sendo o agente mais frequentemente empregado. Nos casos de doença metastática, os protocolos incluem combinações de cisplatina com paclitaxel ou vinorelbina. A imunoterapia, especialmente os inibidores de checkpoint (pembrolizumabe), tem mostrado resultados promissores em tumores com expressão de PD-L1 e instabilidade de microssatélites (MSI-H).
Prevenção e Diagnóstico Precoce do Câncer de Vulva
A vacinação contra o HPV em meninas e mulheres jovens é a medida preventiva mais eficaz para reduzir o risco de câncer de vulva associado ao vírus. Além disso, o exame ginecológico regular, a cessação do tabagismo e o tratamento adequado de condições vulvares pré-malignas como o líquen escleroso e a neoplasia intraepitelial vulvar contribuem significativamente para a prevenção desta neoplasia.
Se você perceber qualquer alteração na região vulvar ou apresentar os sintomas descritos, não deixe de consultar um especialista. O Dr. Michel Chebel é oncologista especializado no diagnóstico e tratamento do câncer de vulva e outras neoplasias oncológicas, oferecendo atendimento personalizado e baseado nas mais atuais evidências científicas.