O câncer de pênis é uma neoplasia maligna relativamente rara, porém com grande impacto na saúde e qualidade de vida dos homens acometidos. No Brasil, a incidência é maior do que em países desenvolvidos, especialmente em regiões com menor acesso à educação em saúde e cobertura vacinal. O diagnóstico precoce do câncer de pênis é fundamental para aumentar as chances de cura e preservar a função e a anatomia do órgão.
O Que é o Câncer de Pênis?
O câncer de pênis é uma neoplasia que se origina, na maioria dos casos, nas células escamosas da pele que recobre o órgão. O tipo histológico predominante é o carcinoma espinocelular (ou carcinoma de células escamosas), responsável por cerca de 95% dos casos. Outros tipos, como o carcinoma basocelular, melanoma e sarcomas, são muito menos frequentes. A lesão geralmente se inicia na glande, no prepúcio ou na região do sulco balanoprepucial.
Fatores de Risco do Câncer de Pênis
O conhecimento dos principais fatores de risco para o câncer de pênis é essencial para a prevenção dessa neoplasia. Dentre os fatores mais relevantes, destacam-se:
Infecção pelo HPV
O Papilomavírus Humano (HPV) é encontrado em cerca de 50% dos casos de câncer de pênis. Os subtipos oncogênicos 16 e 18 são os mais frequentemente associados ao desenvolvimento tumoral. A vacinação contra o HPV, disponível no calendário público de vacinação brasileiro, representa uma das estratégias mais eficazes de prevenção primária.
Fimose e Falta de Higiene
A fimose — condição em que o prepúcio não retrai adequadamente — favorece o acúmulo de esmegma, substância produzida pela descamação das células epiteliais e por secreções glandulares. O acúmulo crônico de esmegma com má higiene cria um ambiente inflamatório crônico que aumenta o risco de malignização. A circuncisão realizada ao nascimento ou na infância está associada a uma significativa redução do risco.
Tabagismo e Outros Fatores
O tabagismo é um fator de risco independente para o câncer de pênis, pois os carcinógenos presentes no tabaco são excretados na urina e podem entrar em contato com a mucosa peniana. Outros fatores incluem: múltiplos parceiros sexuais, história de doenças sexualmente transmissíveis (especialmente herpes genital), líquen escleroso, baixas condições socioeconômicas e ausência de circuncisão.
Principais Sintomas do Câncer de Pênis
Os sintomas do câncer de pênis podem variar conforme o estágio da doença. Os sinais mais comuns incluem:
- Lesão, úlcera ou ferida que não cicatriza na glande ou prepúcio
- Nódulo ou endurecimento no pênis
- Alterações de cor na pele peniana (eritema, manchas avermelhadas ou esbranquiçadas)
- Secreção ou sangramento com odor fétido sob o prepúcio
- Dor ou desconforto persistente na região
- Linfonodomegalia inguinal (ínguas na virilha), indicando possível metástase regional
Muitos homens atrasam a busca por atendimento médico por vergonha ou medo, o que resulta em diagnóstico em fases avançadas. Qualquer lesão peniana que persista por mais de quatro semanas deve ser avaliada por um oncologista ou urologista. Saiba mais sobre o estadiamento do câncer e como ele orienta o tratamento.
Como é Feito o Diagnóstico do Câncer de Pênis?
O diagnóstico do câncer de pênis é baseado em avaliação clínica seguida de confirmação histopatológica. O processo diagnóstico inclui:
Biópsia da Lesão
A biópsia é o procedimento fundamental para confirmar o diagnóstico do câncer de pênis. Pode ser realizada por punch (biópsia incisional) ou excisional, a depender do tamanho da lesão. O material coletado é enviado para análise anatomopatológica, que determina o tipo histológico, grau de diferenciação tumoral e profundidade de invasão.
Estadiamento Clínico e por Imagem
Após a confirmação diagnóstica, realiza-se o estadiamento para avaliar a extensão da doença. Os exames utilizados incluem ultrassonografia peniana, tomografia computadorizada de abdome e pelve, ressonância magnética e, em casos selecionados, PET-CT. O estadiamento segue o sistema TNM da AJCC e orienta a escolha do tratamento mais adequado.
Tratamento do Câncer de Pênis
O tratamento do câncer de pênis deve ser individualizado conforme o estadiamento, localização e extensão da lesão. O objetivo primário é a cura com máxima preservação da função e qualidade de vida.
Tratamento Cirúrgico
A cirurgia é o principal tratamento para tumores localizados do câncer de pênis. As opções incluem:
- Excisão local ampla: para tumores pequenos e superficiais, com margens livres de pelo menos 5mm
- Glandectomia parcial ou total: para tumores confinados à glande
- Penectomia parcial: amputação do segmento distal do pênis, com preservação máxima possível
- Penectomia total: indicada em tumores extensos ou com invasão de estruturas proximais
- Linfadenectomia inguinal: remoção dos linfonodos inguinais, indicada nos casos com linfonodos clinicamente positivos ou em tumores de alto grau
Radioterapia no Tratamento do Câncer de Pênis
A radioterapia pode ser utilizada como alternativa à cirurgia em casos selecionados de câncer de pênis, especialmente em tumores pequenos da glande, visando a preservação do órgão. Pode ser empregada na modalidade de braquiterapia (radiação interna) ou radioterapia externa. Também é utilizada no tratamento paliativo de metástases ósseas ou como tratamento adjuvante após cirurgia com margens comprometidas.
Quimioterapia
A quimioterapia está indicada principalmente nas fases avançadas do câncer de pênis, com metástases a distância, ou como tratamento neoadjuvante para redução tumoral antes da cirurgia. Os esquemas mais utilizados incluem combinações à base de cisplatina, como TIP (paclitaxel + ifosfamida + cisplatina) ou BMP (bleomicina + metotrexato + cisplatina). Nos estágios localmente avançados, a quimiorradioterapia pode permitir a preservação do órgão em casos selecionados.
Prognóstico e Sobrevida no Câncer de Pênis
O prognóstico do câncer de pênis está diretamente relacionado ao estadiamento no momento do diagnóstico. Tumores diagnosticados em estágios iniciais (T1-T2 sem comprometimento linfonodal) apresentam taxas de sobrevida em 5 anos superiores a 85%. Quando há comprometimento de linfonodos inguinais, a sobrevida cai para cerca de 50%, e nos casos com metástases a distância, o prognóstico é significativamente pior. Por isso, o diagnóstico precoce é fundamental. Entenda mais sobre os marcadores tumorais usados no diagnóstico oncológico.
Prevenção do Câncer de Pênis e Quando Consultar um Oncologista
A prevenção do câncer de pênis passa por medidas simples e acessíveis: vacinação contra o HPV, higiene adequada do órgão genital, prática de sexo seguro, cessação do tabagismo e realização de circuncisão nos casos de fimose patológica. Qualquer lesão, ferida, nódulo ou alteração na pele do pênis que não cicatrize espontaneamente em até quatro semanas deve ser avaliada por um médico especialista. O oncologista é o profissional habilitado para indicar o tratamento mais adequado, visando sempre a cura com a melhor qualidade de vida possível para o paciente.