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Dr. Michel Chebel, cirurgião oncológico em Uberlândia
Tipos de câncer

Câncer de Laringe: 3 Fatores de Risco, Sintomas e Tratamento

O câncer de laringe é um tumor maligno que afeta a voz e a respiração. Saiba sobre os 3 fatores de risco, sintomas, diagnóstico e tratamento com o oncologista Dr. Michel Chebel.

Câncer de Laringe: 3 Fatores de Risco, Sintomas e Tratamento · imagem ilustrativa
Câncer de Laringe: 3 Fatores de Risco, Sintomas e Tratamento · imagem ilustrativa

O câncer de laringe é um tumor maligno que se desenvolve nos tecidos da laringe, o órgão responsável pela produção da voz e pela proteção das vias aéreas inferiores durante a deglutição. É um dos cânceres de cabeça e pescoço mais frequentes, acometendo principalmente homens entre 50 e 70 anos de idade. Com diagnóstico precoce, as taxas de cura podem superar 90% nas formas localizadas.

O Que é o Câncer de Laringe?

A laringe é uma estrutura cartilaginosa localizada no pescoço, entre a faringe e a traqueia. Ela é dividida em três regiões anatômicas: supraglote (acima das pregas vocais), glote (pregas vocais propriamente ditas) e subglote (abaixo das pregas vocais). Essa divisão é fundamental porque cada região tem comportamento biológico, sintomatologia e prognóstico distintos.

A maioria dos cânceres de laringe — cerca de 95% — é do tipo carcinoma de células escamosas (ou espinocelular), que se origina nas células que revestem a mucosa laríngea. Outros tipos histológicos, como adenocarcinoma e carcinoma neuroendócrino, são raros.

3 Principais Fatores de Risco

O desenvolvimento do câncer de laringe está fortemente associado a hábitos de vida e exposições ambientais. Os fatores de risco mais importantes incluem:

  • Tabagismo: o tabaco é, de longe, o principal fator de risco. Fumantes têm um risco 5 a 35 vezes maior de desenvolver câncer de laringe em comparação a não fumantes. O risco aumenta com a quantidade de cigarros e o tempo de tabagismo.
  • Consumo excessivo de álcool: o álcool potencializa os efeitos carcinogênicos do tabaco. A combinação de tabagismo e etilismo eleva o risco de forma sinérgica — muito mais do que cada fator isolado.
  • Exposição ocupacional: trabalhadores que lidam com amianto, poeiras de madeira, tinta e solventes têm maior risco de câncer de laringe.

Outros fatores incluem infecção pelo vírus HPV (especialmente os subtipos 16 e 18), doença de refluxo gastroesofágico crônico, desnutrição e histórico familiar de cânceres de vias aerodigestivas superiores.

Sintomas do Câncer de Laringe

Os sintomas do câncer de laringe variam de acordo com a localização do tumor. Conhecer os sinais de alerta é fundamental para o diagnóstico precoce:

Câncer de Laringe Glótico (Pregas Vocais)

O câncer glótico é o mais comum e, felizmente, o de melhor prognóstico — justamente porque a disfonia (alteração da voz) aparece muito cedo, mesmo em estágios iniciais. Por isso, qualquer rouquidão que persiste por mais de 3 semanas em fumante ou ex-fumante deve ser investigada imediatamente pelo otorrinolaringologista ou oncologista.

Câncer de Laringe Supraglótico

O câncer supraglótico costuma ser diagnosticado em estágios mais avançados, pois os sintomas iniciais são mais inespecíficos: sensação de corpo estranho na garganta, disfagia (dificuldade para engolir), odinofagia (dor ao engolir) e dor de garganta persistente. A rouquidão surge mais tarde, quando o tumor se estende para as pregas vocais.

Sintomas Gerais

Em estágios avançados, o câncer de laringe pode causar dispneia (falta de ar) progressiva, estridor (ruído respiratório), hemoptise (sangue na expectoração), perda de peso significativa e linfonodos (ínguas) palpáveis no pescoço.

Como é Feito o Diagnóstico?

O diagnóstico do câncer de laringe envolve uma série de etapas clínicas e complementares:

Laringoscopia

A laringoscopia indireta (com espelho) ou direta (com endoscópio flexível) é o primeiro exame realizado. Ela permite a visualização direta das estruturas laríngeas e a identificação de lesões suspeitas. A laringoscopia com luz NBI (Narrow Band Imaging) melhora a identificação de padrões vasculares anormais associados à malignidade.

Biópsia

O diagnóstico definitivo é estabelecido pela análise anatomopatológica de fragmentos obtidos por biópsia direta sob anestesia geral (microlaringoscopia de suspensão). O exame histológico confirma o tipo celular e o grau de diferenciação do tumor.

Exames de Imagem

A tomografia computadorizada do pescoço com contraste é o exame de imagem de escolha para avaliar a extensão local do tumor, o comprometimento das cartilagens laríngeas, o envolvimento de estruturas adjacentes e o status dos linfonodos cervicais. A ressonância magnética oferece informações adicionais sobre o envolvimento de partes moles. A PET-CT é utilizada em casos selecionados para avaliar metástases a distância. Para entender melhor como o estágio do câncer influencia o tratamento, leia sobre o estadiamento do câncer.

Estadiamento do Câncer de Laringe

O estadiamento do câncer de laringe segue o sistema TNM da AJCC (American Joint Committee on Cancer). O estágio varia de I (tumor localizado, mobilidade das pregas vocais preservada) a IV (tumor com invasão de estruturas adjacentes, metástase linfonodal bulky ou metástase a distância). O estadiamento preciso é essencial para definir a melhor estratégia terapêutica.

Tratamento do Câncer de Laringe

O tratamento do câncer de laringe evoluiu significativamente nas últimas décadas, com foco crescente na preservação da laringe e da qualidade de vida do paciente. As principais modalidades terapêuticas incluem:

Cirurgia

Para tumores glóticos em estágio inicial (T1-T2), a microcirurgia endoscópica com laser CO2 é frequentemente a primeira escolha. Permite a remoção precisa do tumor com preservação das pregas vocais e excelentes resultados oncológicos e funcionais. Para tumores mais extensos, pode ser necessária laringectomia parcial ou total.

A laringectomia total, embora resulte em perda permanente da voz natural, está indicada em tumores avançados que não respondem à radioterapia ou em casos de recidiva. Após a laringectomia, o paciente pode reaprender a comunicar-se através de voz esofágica, prótese traqueoesofágica ou laringe eletrônica.

Radioterapia

A radioterapia é a principal alternativa à cirurgia para tumores glóticos em estágio inicial, com taxas de controle local semelhantes à cirurgia endoscópica e excelente preservação vocal. Para tumores avançados, a radioterapia pode ser combinada com quimioterapia (radioquimioterapia) como estratégia de preservação laríngea.

Quimioterapia

A quimioterapia com platina (cisplatina) é utilizada de forma concomitante à radioterapia em tumores avançados como parte dos protocolos de preservação laríngea ou como tratamento paliativo em doença metastática. O uso de quimioterapia de indução (antes da radioquimioterapia definitiva) é avaliado em casos selecionados de tumores muito volumosos para determinar a sensibilidade tumoral à quimioterapia.

Imunoterapia

Os inibidores de checkpoint imunológico, especialmente o pembrolizumab e o nivolumab, demonstraram eficácia no câncer de cabeça e pescoço recorrente/metastático, incluindo o câncer de laringe. Esses agentes de imunoterapia representam uma nova opção para pacientes que não respondem à quimioterapia convencional.

Reabilitação e Qualidade de Vida

A reabilitação após o tratamento do câncer de laringe é um componente essencial da abordagem oncológica multidisciplinar. A fonoaudiologia tem papel fundamental na recuperação vocal e na reabilitação da deglutição, especialmente após cirurgias parciais. Pacientes submetidos à laringectomia total necessitam de suporte especializado para aprender novas formas de comunicação.

A nutrição adequada, o suporte psicológico e o acompanhamento com oncologista, cirurgião de cabeça e pescoço, fonoaudiólogo e nutricionista formam a base da abordagem integral ao paciente com câncer de laringe. Para saber mais sobre os cuidados durante o tratamento, consulte as diretrizes do INCA sobre câncer de laringe.

Prevenção do Câncer de Laringe

A cessação do tabagismo e a redução do consumo de álcool são as medidas preventivas mais eficazes contra o câncer de laringe. Estima-se que mais de 80% dos casos de câncer de laringe poderiam ser evitados com a eliminação desses dois fatores de risco modificáveis. Leia mais sobre a prevenção do câncer e hábitos que reduzem o risco.

Conclusão

O câncer de laringe, quando diagnosticado nos estágios iniciais, tem excelente prognóstico e pode ser tratado de forma eficaz com preservação da voz e da qualidade de vida. A chave está no diagnóstico precoce — qualquer alteração vocal persistente em fumante ou ex-fumante deve ser investigada sem demora. Se você apresenta rouquidão persistente, dificuldade para engolir ou outros sintomas laríngeos, consulte um médico oncologista especializado para avaliação.

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Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Dr. Michel Chebel atende em Uberlândia — MG.