Metástase Óssea: Sintomas, Diagnóstico e Abordagem Terapêutica

A metástase óssea ocorre quando células cancerígenas se instalam nos ossos. Saiba quais tumores causam metástase óssea com mais frequência, quais são os sintomas, como é feito o diagnóstico e quais são as opções de tratamento disponíveis.
Metástase Óssea | Dr. Michel Chebel

O Que é Metástase Óssea?

A metástase óssea ocorre quando células cancerígenas de um tumor primário se desprendem, circulam pelo sangue ou pelo sistema linfático e se instalam nos ossos, onde passam a se multiplicar e formar novos focos tumorais. Os ossos são um dos sítios de metástase mais comuns no câncer, sendo superados apenas pelos pulmões e pelo fígado em frequência.

A presença de metástase óssea indica uma doença oncológica em estágio avançado, porém não significa necessariamente que o tratamento não é possível ou eficaz. Com o avanço das terapias oncológicas, muitos pacientes com metástase óssea vivem por anos com boa qualidade de vida sob tratamento adequado. Entender o que são, como se manifestam e como são tratadas é fundamental para pacientes e familiares que enfrentam esse diagnóstico.

Quais Tumores Causam Metástase Óssea com Mais Frequência?

Praticamente qualquer tipo de câncer pode metastatizar para os ossos, mas alguns tumores apresentam afinidade muito maior pelo tecido ósseo. O câncer de mama e o câncer de próstata são os tumores que mais frequentemente metastatizam para os ossos, com incidência de metástase óssea em 70% a 80% dos casos avançados.

O câncer de pulmão também é um dos tumores com alta frequência de metástase óssea, presente em cerca de 30% a 40% dos casos avançados. O câncer de rim, a tireoide, o câncer de bexiga e os tumores hematológicos como o mieloma múltiplo (que é primariamente um tumor do tecido ósseo) também são causas frequentes de comprometimento ósseo.

Tipos de Metástase Óssea: Osteolítica e Osteoblástica

Do ponto de vista do comportamento sobre o tecido ósseo, as metástases ósseas são classificadas em dois tipos principais, que têm implicações importantes para o diagnóstico por imagem e o planejamento do tratamento:

As metástases osteolíticas causam destruição do tecido ósseo, criando áreas de rarefação visíveis na radiografia. São o tipo mais comum e estão frequentemente associadas ao câncer de mama, pulmão, rim, tireoide e mieloma múltiplo. Esse tipo de lesão enfraquece muito o osso, aumentando o risco de fraturas patológicas.

As metástases osteoblásticas estimulam a produção de novo tecido ósseo, criando áreas de maior densidade. São características do câncer de próstata e, em menor grau, do câncer de mama. As metástases mistas apresentam componentes tanto de destruição quanto de formação óssea e também são frequentes na prática clínica.

Sintomas da Metástase Óssea

O sintoma mais comum e frequentemente o primeiro a se manifestar é a dor óssea, que pode variar de leve a intensa e costuma ser constante, piorando à noite ou com a atividade física. A dor pode surgir em qualquer osso, mas os locais mais afetados incluem a coluna vertebral (especialmente região torácica e lombar), pelve, costelas, fêmur, úmero e crânio.

Além da dor, a metástase óssea pode causar complicações graves que são denominadas eventos relacionados ao esqueleto (ERE). Esses eventos incluem fraturas patológicas (fraturas que ocorrem em ossos enfraquecidos pelo tumor sem trauma significativo), compressão medular (quando metástases na coluna vertebral comprimem a medula espinhal, podendo causar fraqueza nas pernas, alterações urinárias e intestinais), e hipercalcemia maligna (elevação do cálcio no sangue por liberação excessiva dos ossos destruídos, causando náuseas, confusão mental, fraqueza e desidratação).

Diagnóstico da Metástase Óssea

O diagnóstico da metástase óssea utiliza diferentes métodos de imagem, cada um com suas vantagens e indicações específicas. A cintilografia óssea é um exame sensível para a detecção de múltiplas lesões ósseas em todo o esqueleto, sendo amplamente utilizado no estadiamento inicial e no acompanhamento de pacientes com tumores que frequentemente metastatizam para os ossos.

A tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) são superiores para a caracterização detalhada das lesões, avaliação de risco de fratura e detecção de compressão medular. O PET-CT com FDG é especialmente útil para detectar metástases ósseas de tumores com alta atividade metabólica. A biópsia da lesão óssea pode ser necessária para confirmar o diagnóstico e caracterizar o perfil molecular do tumor.

Tratamento da Metástase Óssea

O tratamento da metástase óssea é multidisciplinar e tem como objetivos principais o controle da dor, a prevenção de complicações esqueléticas, a manutenção da qualidade de vida e, sempre que possível, o controle da doença oncológica. As principais estratégias terapêuticas incluem:

Terapia sistêmica do tumor primário: o tratamento oncológico dirigido ao tumor primário (quimioterapia, terapia alvo, imunoterapia, hormonioterapia) é fundamental e frequentemente leva à estabilização ou regressão das metástases ósseas quando eficaz.

Agentes modificadores do osso: os bisfosfonatos (especialmente o ácido zoledrônico) e o denosumabe (anticorpo monoclonal anti-RANK-L) são medicamentos que inibem a reabsorção óssea, reduzindo a frequência e a gravidade dos eventos relacionados ao esqueleto. Seu uso regular em pacientes com metástase óssea documentada é uma recomendação das principais diretrizes oncológicas.

Radioterapia: a radioterapia é altamente eficaz para o controle da dor localizada causada por metástases ósseas, com taxas de resposta analgésica de 70% a 80%. A radiocirurgia estereotáxica (SBRT) permite doses elevadas com alta precisão em lesões específicas, com excelentes resultados.

Cirurgia ortopédica oncológica: a estabilização cirúrgica é necessária em casos de fratura patológica, risco iminente de fratura ou compressão medular. O objetivo é restabelecer a função e controlar a dor, permitindo que o paciente mantenha a mobilidade e a independência durante o tratamento.

Qualidade de Vida com Metástase Óssea

Com o avanço das terapias disponíveis, muitos pacientes com metástase óssea vivem por anos com boa qualidade de vida. O controle adequado da dor, a prevenção de complicações esqueléticas e o suporte emocional são pilares fundamentais do cuidado. A oncologia integrativa, com práticas complementares como fisioterapia, acupuntura e atividade física adaptada, pode contribuir significativamente para o bem-estar do paciente.

Os cuidados paliativos em oncologia são parte integrante do tratamento desde o diagnóstico de metástase óssea, com foco no controle de sintomas e na qualidade de vida. O acompanhamento oncológico regular com o especialista é fundamental para ajustar o tratamento conforme a evolução da doença e introduzir novas opções terapêuticas quando necessário.

Para informações sobre metástases ósseas e suporte ao paciente oncológico, consulte o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC).